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Rui Muge

Ao luar, amei-te

Sentado na mesma varanda, olho o mar bravio batendo nas rochas, iluminado por este

radioso luar de Verão. Corre uma brisa quente que beija a minha pele nua e deixa-me

indolente e inerte, nesta contemplação das estrelas que brilham no alto...

Procuro nesta luz a tua sombra, no ar, o teu perfume. Como os recordo! Continuam vivos

e presentes em mim. Quando foi que partiste? Como te deixei partir?!

Aproximas-te, enlaças-me ternamente. Beijas o meu pescoço, a minha nuca, o meu

peito. Sinto a tua língua húmida a percorrer o meu corpo, que estremece, todo eu vibro

de prazer. Passeio as minhas mãos pelos teus cabelos sedosos... saboreio a doce textura

da tua pele, morena e suave, linda como tu, meu amor.

Sem nos conseguirmos apartar, deixamos a varanda e entramos no quarto. Nossos corpos,

frementes de desejo, misturam-se, rolam e brincam.

Exploramos cada pedaço de nós, percorrendo caminhos já conhecidos. Entregamo-nos à

volúpia dos nossos sentidos e os nossos corpos transbordam de amor, que se espalha pela

nossa pele, inundando os alvos lençóis. Sentimo-nos sem nos tocarmos. Um intenso

magnetismo animal apoderou-se de nós e deixámos que este clima tórrido de paixão e

luxúria comande a nossa noite, até que, já cansados, os nossos corpos caíram abraçados.

Estremeci, um golpe de vento fresco arrepiou a minha pele e fez-me regressar a esta

varanda, gotas de saudade banham a minha face, que brilha ao luar... Onde estás Meu

Amor???